O Traço do Arquiteto na Paisagem Sintrense

"A arquitetura é a expressão de um tempo, já que reproduz a essência física do homem e revela nas relações monumentais do corpo o sentido vital de uma época."

Wölfflin, Heinrich (1864 – 1945) Principles of History of Art

Sintra, no extremo ocidental da Europa assume-se como o derradeiro elemento entre a montanha e as várzeas que mergulham abruptamente no Mar. Classificada pela UNESCO como Paisagem Cultural e Património da Humanidade, é um daqueles lugares mágicos onde a natureza e o homem se conjugaram numa simbiose perfeita, como que a quererem deixar-nos surpreendidos, rendidos à beleza da obra.

A Câmara Municipal de Sintra guarda, no seu Arquivo Histórico, "traços" de sonhos abertos a uma realidade que proporcionou ideais e atitudes em que a arquitetura é herdeira de tradições.

O documento de arquivo que sustenta a arquitetura sintrense comporta a historicidade per si, como conjunto de valores, ideias e opiniões que constituem para a humanidade a revelação das mentalidades de uma época e de um espaço arquiteturado, tornando-se, precisamente, ele próprio num mundo e numa interpenetração mútua de uma e outra, e no qual a humanização da natureza corresponde a uma naturalização.

A arquitetura preenche o desejo de sentir a harmonia com o lugar, pelo que, satisfaz a apetência de valor de uso, quer pela fixação no tempo quer pela permanência.

Parece então inegável que as "ordens" afetivas e a finalidade, como consciência estética presentes no objeto arquitetónico, são a emoção estética e a empatia, que partindo do artista, atinge o fruidor através da obra que transmite.

Neste traço da arquitetura do século XX em Sintra, integra-se conjuntamente algum legado de Raul Lino tutelado pela Fundação Calouste Gulbenkian/Biblioteca de Arte e espólio da Câmara Municipal de Cascais/Arquivo Histórico, com projetos sintrenses inéditos do Arquiteto António Rodrigues da Silva Júnior, provenientes da Casa do Alentejo.

Inicio e ponto de partida para múltiplos estudos, este ensaio ajusta-se à divulgação de espólios arquivísticos, arquitetónicos e artísticos, mas principalmente como forma de dar a conhecer parte de uma "herança" que após muitos traços impercetíveis, esboços, exíguos pormenores, plantas e projetos definitivos, existe, existiu ou foi idealizada, e que pretende transmitir novas interpretações e figurações da arquitetura de Sintra.

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Os documentos expostos neste site constituem uma seleção do espólio existente sobre esta temática. O
Arquivo Histórico da Câmara Municipal de Sintra, no Palácio Valenças, possui uma maior diversidade de documentação, passível de consulta, relacionada com os conteúdos apresentados.